AVANT-GARDE WANNABE

Aenigmata Ludi. Ludendi gratia, quase perdi o fio na trilha, não obstante, o que tinha que ser já era. Não me consinto em minha história. Mas eu sou a justa medida, eu inspiro as balanças a ficarem paradas, eu equilibro. Susto, basto, estimo: estou em toda parte, mesmo em ti, que me procuras. Chamas meu nome, e mal sabe que estou tão perto pois meu nome sou eu. Eu mesmo nasci das pequenas ordens, das organizações casuais dos elementos juxtapostos. Hoje me multiplico com o que acumulo: mata cum omnia, domina sed summum aenigma. Que oráculos são? Séculos? É tarde… Tarde demais para esquecer, lembrar: abolir o presente num gesto ausente. Governo um ovo. Reino ali. Sou a ordem interna, a circulação dos humores e a perfeição geométrica. Eu sou o processo. Controlo um encontro. Demonstro um contraste. Desatrelo um desastre. Corrijo um esconderijo. Escondo um juízo. Justiço um crime. Justifico uma crise. Judio dum cristo. Eu sou a crise. Interesso-me por isso. Isolo uma ilha. Anulo um zero. Eu sou a crise do processo. Tornado e transformado. De Formatura Naturae, formalis adequatio: sinal de perigo, lúmina sublústria. Os fundamentos estão sólidos, tudo durará. Dura muito, demora mais. Repetrifício: axiomas desprováveis de sentência. Anule as essências, sou mesmo uma negação. In illis dialecticae gyris et meandris, tudo serve: faço tábula da fábula rasa. Isso é mau anúncio. Volto às origens da ordem. Peço proteção a um poder geométrico. Disponho de pouco. Perdão, senhores animais: perdi o mundo num lapso. Minha educação não me permite ver essas coisas. Um mal-estar tomou conta do meu ser, um mal-entendido contra o bom senso: estou à vossa disposição. Ponho um pé fora do caminho.

ACONTECEU ALGO INACONTECÍVEL. Minha situação é perigosa. Não tenho boas impressões das coisas: impressiono-me facilmente. Outro era eu quando não coincidia com as circunstâncias. Por que isso? Isso não é coisa que se faça. Nada me justifica. Estou à disposição de tudo. Eu era tanto, tanto faz: quanto tempo estou falando disso? Pura perdição de ilusão. Brasília nunca vai começar a ser viável. Só do que falo, falar: minha mitologia, minha lógica. Para que falar do que não me concerne! Resta memória intacta. Membro e deslembro umas coisas. Como as próprias coisas ficam. Como é que é mesmo? Aboli este mundo num dia de pensamento. Não me interessa quem sabe: nenhum olho para me ver, exceto bestas. Sou a imensa pergunta. Respondam, responsa vobis. Faço questão, respaldo: não! Melhor: não correspondo a nenhuma das descrições do eterno, feitas de cabeça. Quem me entende, não me desconfia. Uns falaram, disseram tudo. Todos em roda prestando tendência. Não tive o prazer, tive a aflição. Descrevo um dia: toda a eternidade para falar e ouvir. Só o diálogo não é eterno, a eternidade aniquila-se, a minha é outra. Somo todo dúvidas, uma hipótese contra o absoluto, pense: eu aqui. Suponha, não tem outro caminho para a existência dele ser possível. Ou eu o anulo, ou ele me aniquila, ou nada houve entre nós, ou minha presença – sua ausência ou minha possibilidade – alfa e ômega dele, Artky. Faço pausa, que fazer? De vi et natura chamaeleontis. Estados estacionários, já olhei de todos os ângulos e o centro congrega-se num enigma. Já me reduzi ao que digo e não me significo. Desconhece-te a ti mesmo, estranhai-vos: não conheço essa passagem. Fiz alto nesta paragem, probabilia conjectura. Uns negam, outros ponderam o peso específico. Nem isso, replicam os demais. Descrédito sistemático. Positivo na situação, discordo: nunca atingimos a justeza absoluta, tudo é de uma perfeição inimitável. De duas: ou me perco no que não sou, caio em mim para nunca mais sair ou me empenho nos acontecimentos, e idem. Ou pelo menos fico assíduo nisso. Vamos fazer um ato, entrar no tempo, prestigiar o mundo. Pronto.

Somo todo dúvidas, uma hipótese contra o absoluto, pense: eu aqui.