AVANT-GARDE WANNABE

May 29

Esse rapaz bateu na casa do meu pai domingo passado perguntando se podia capinar a grama que ia alta, que precisava de dinheiro, de trabalho. Enquanto ele carpia, eles conversaram um pouco, o rapaz contou que vinha do Paraná, mas estava lá, no interior de São Paulo, e que ali “tinha luz, tinha água, mas rapaz, um pezinho de alface custa R$1,50!”. Meu pai perguntou-lhe o nome e ele explicou que uma professora o havia dito que era um nome errado, que aquele nome não existia. Aí meu pai insistiu em saber, e ele:- Marcel.- Mas é claro que esse nome existe, pois se você existe!- É mesmo! Não é que eu ia me esquecendo que existo?
Nem vou comentar nada, só deixo aqui a foto dele, que parece muito claramente gritar “Eu existo!”.

Esse rapaz bateu na casa do meu pai domingo passado perguntando se podia capinar a grama que ia alta, que precisava de dinheiro, de trabalho. Enquanto ele carpia, eles conversaram um pouco, o rapaz contou que vinha do Paraná, mas estava lá, no interior de São Paulo, e que ali “tinha luz, tinha água, mas rapaz, um pezinho de alface custa R$1,50!”. Meu pai perguntou-lhe o nome e ele explicou que uma professora o havia dito que era um nome errado, que aquele nome não existia. Aí meu pai insistiu em saber, e ele:
- Marcel.
- Mas é claro que esse nome existe, pois se você existe!
- É mesmo! Não é que eu ia me esquecendo que existo?

Nem vou comentar nada, só deixo aqui a foto dele, que parece muito claramente gritar “Eu existo!”.

May 26

Bisavó Januária, parte da minha herança indígena, já velhinha ♥
Sei pouco sobre ela, que fumava muito cachimbo e gostava de comer com a mão, se não implicassem.

Bisavó Januária, parte da minha herança indígena, já velhinha ♥

Sei pouco sobre ela, que fumava muito cachimbo e gostava de comer com a mão, se não implicassem.

Falta-nos resistência ao presente

“Os direitos do homem não dizem nada sobre os modos de existência imanentes do homem provido de direitos. E a vergonha de ser um homem, nós não a experimentamos somente nas situações extremas descritas por Primo Levi, mas nas condições insignificantes, ante a baixeza e a vulgaridade da existência que impregnam as democracias, ante a propagação desses modos de existência e de pensamento-para-o-mercado, ante os valores, os ideais e as opiniões de nossa época. A ignomínia das possibilidades de vida que nos são oferecidas aparecem de dentro. Não nos sentimos fora de nossa época, ao contrário, não cessamos de estabelecer com ela compromissos vergonhosos. Este sentimento de vergonha é um dos mais poderosos motivos da filosofia. Não somos responsáveis pelas vítimas, mas diante das vítimas. E não há outro meio senão fazer como o animal (rosnar, escavar o chão, nitrir, convulsionar-se) para escapar ao ignóbil: o pensamento mesmo está por vezes mais próximo de um animal que morre do que de um homem vivo, mesmo democrata. (…) A europeização não constitui um devir, constitui somente a história do capitalismo que impede o devir dos povos sujeitados. A arte e a filosofia juntam-se neste ponto, a constituição de uma terra e de um povo ausentes, como correlato da criação. (…) Pois a raça invocada pela arte ou a filosofia não é a que se pretende pura, mas uma raça oprimida, bastarda, inferior, anárquica, nômade, irremediavelmente menor — aqueles que Kant excluía das vias da nova Crítica… Artaud dizia: escrever para os analfabetos — falar para os afásicos, pensar para os acéfalos. Mas que significa “para”? Não é “com vistas a…”. Nem mesmo “em lugar de…”. É “diante”. É uma questão de devir. O pensador não é acéfalo, afásico ou analfabeto, mas se torna. Torna-se índio, não pára de se tornar, talvez “para que” o índio, que é índio, se torne ele mesmo outra coisa e possa escapar a sua agonia. Pensamos e escrevemos para os animais. Tornamo-nos animal, para que o animal também se torne outra coisa. A agonia de um rato ou a execução de um bezerro permanecem presentes no pensamento, não por piedade, mas como a zona de troca entre o homem e o animal, em que algo de um passa ao outro. É a relação constitutiva da filosofia com a não-filosofia. O devir é sempre duplo, e é este duplo devir que constitui o povo por vir e a nova terra. O filósofo deve tornar-se não-filósofo, para que a não-filosofia se torne a terra e o povo da filosofia. (…) O artista ou o filósofo são bem incapazes de criar um povo, só podem invocá-lo, com todas as suas forças. Um povo só pode ser criado em sofrimentos abomináveis, e tampouco pode cuidar de arte ou de filosofia. Mas os livros de filosofia e as obras de arte contêm também sua soma inimaginável de sofrimento que faz pressentir o advento de um povo. Eles têm em comum resistir, resistir à morte, à servidão, ao intolerável, à vergonha, ao presente.”

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May 13

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May 06

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May 03

Depois de um discurso desses, percebi que devia deixar Miles em paz, e foi o que fiz, exceto por uma vez, quando lhe pedi que tocasse para uma cantora que frequentava as matinês de domingo do Vanguard. Foi no final dos anos 1950.
“Ela é sensacional”, disse-lhe eu. “Eu a ouvi em um show beneficente.”
“Eu não faço fundo para nenhuma cantora. Peça a Herbie (Hancock); se ele quiser tocar para ela, por mim tudo bem.”
Quanto Miles ouviu os três números que ela fez - e os aplausos -, ele disse: “Qual é o nome dela? Apresente-a, se você quiser, mas contrate um trio para tocar para ela. Eu não vou acompanhar nenhuma dona.”
A cantora era Barbra Streisand.
(Max Gordon, Ao vivo no Village Vanguard, p. 152)

Depois de um discurso desses, percebi que devia deixar Miles em paz, e foi o que fiz, exceto por uma vez, quando lhe pedi que tocasse para uma cantora que frequentava as matinês de domingo do Vanguard. Foi no final dos anos 1950.

“Ela é sensacional”, disse-lhe eu. “Eu a ouvi em um show beneficente.”

“Eu não faço fundo para nenhuma cantora. Peça a Herbie (Hancock); se ele quiser tocar para ela, por mim tudo bem.”

Quanto Miles ouviu os três números que ela fez - e os aplausos -, ele disse: “Qual é o nome dela? Apresente-a, se você quiser, mas contrate um trio para tocar para ela. Eu não vou acompanhar nenhuma dona.”

A cantora era Barbra Streisand.

(Max Gordon, Ao vivo no Village Vanguard, p. 152)

Apr 17

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Apr 05

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Hathor Figurine
Egypt, 1938-1630 BC
The Brooklyn Museum
“Statuettes of naked women with incomplete legs, like this example, have been found in Middle Kingdom tombs and houses. Early Egyptologists mistakenly identified them as concubines intended to provide the spirits of men with an eternity of sexual pleasure. Recent studies show that both men and women used these figures to ensure fertility. In the home, they were believed to enhance a wife’s fruitfulness and a husband’s potency by invoking Hathor, the goddess of sexual love. As tomb offerings, they guaranteed the deceased’s sexual power in the afterlife.”

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Hathor Figurine

Egypt, 1938-1630 BC

The Brooklyn Museum

“Statuettes of naked women with incomplete legs, like this example, have been found in Middle Kingdom tombs and houses. Early Egyptologists mistakenly identified them as concubines intended to provide the spirits of men with an eternity of sexual pleasure. Recent studies show that both men and women used these figures to ensure fertility. In the home, they were believed to enhance a wife’s fruitfulness and a husband’s potency by invoking Hathor, the goddess of sexual love. As tomb offerings, they guaranteed the deceased’s sexual power in the afterlife.”

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Isis-Aphrodite Figure
Egypt, 2nd century AD
The Metropolitan Museum of Art
“Isis-Aphrodite is a form of the great goddess Isis that emphasizes the fertility aspects associated with Aphrodite. She was concerned with marriage and childbirth and, following very ancient pharaonic prototypes, also with rebirth. Elaborate accessories, including an exaggerated calathos (the crown of Egyptian Greco-Roman divinities) emblazoned with a tiny disk and horns of Isis, heighten the effect of her nudity. Figures depicting this goddess are found in both domestic and funerary contexts. Popular already in the 3rd to 2nd centuries B.C., they continued to be made in Roman times. Dating technology places this piece in the Roman period, probably about AD 150, and the long narrow face and rather dry expression do not contradict such a date.”

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Isis-Aphrodite Figure

Egypt, 2nd century AD

The Metropolitan Museum of Art

“Isis-Aphrodite is a form of the great goddess Isis that emphasizes the fertility aspects associated with Aphrodite. She was concerned with marriage and childbirth and, following very ancient pharaonic prototypes, also with rebirth. Elaborate accessories, including an exaggerated calathos (the crown of Egyptian Greco-Roman divinities) emblazoned with a tiny disk and horns of Isis, heighten the effect of her nudity. Figures depicting this goddess are found in both domestic and funerary contexts. Popular already in the 3rd to 2nd centuries B.C., they continued to be made in Roman times. Dating technology places this piece in the Roman period, probably about AD 150, and the long narrow face and rather dry expression do not contradict such a date.”

Mar 30

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There’s a certain Slant of light,
Winter Afternoons —
That oppresses, like the Heft
Of Cathedral Tunes —

Heavenly Hurt, it gives us —
We can find no scar,
But internal difference,
Where the Meanings, are —

None may teach it — Any —
‘Tis the Seal Despair —
An imperial affliction
Sent us of the Air —

When it comes, the Landscape listens —
Shadows — hold their breath —
When it goes, ‘tis like the Distance
On the look of Death —

Shall I take thee, the Poet said
To the propounded word?
Be stationed with the Candidates
Till I have finer tried —

The Poet searched Philology
And when about to ring
For the suspended Candidate
There came unsummoned in —

That portion of the Vision
The Word applied to fill
Not unto nomination
The Cherubim reveal —

I shall not murmur if at lastThe ones I loved belowPermission have to understandFor what I shunned them so —Divulging it would rest my HeartBut it would ravage theirs —Why, Katie, Treason has a Voice —But mine — dispels — in Tears.

I shall not murmur if at last
The ones I loved below
Permission have to understand
For what I shunned them so —
Divulging it would rest my Heart
But it would ravage theirs —
Why, Katie, Treason has a Voice —
But mine — dispels — in Tears.

Mar 25